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ARQUIDIOCESE DE ARACAJU

ARACAJU VISTA DO INDUSTRIAL

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Para entender Aracaju devemos descer da colina de Santo Antônio e seguir na convergência das águas de Março que fluem no Rio Sergipe. Aqui chegaram muitas famílias vindas do interior desejosas de saírem da sua ruralidade com o sonho de contemplar a vida urbana.

No bairro Industrial temos hoje a síntese de toda cidade de Aracaju. É real. Fábricas, operários, pescadores, trabalhadores, transeuntes e muita distopia com o que poderíamos ser e não somos. Aracaju não pode ser contada, cantada e amada sem a Sergipe Industrial, sem a Confiança, sem a histórica capela São João Batista no Aracaju Parque Shopping, sem a vila dos pescadores, sem os artesanatos feitos pelo nosso povo na nossa Orlinha no espaço Chica Chaves. Por aqui, temos o Parque da Cidade, temos o Moinho Sergipe, temos a lavanderia na Rua Manoel Preto por hora abandonada. Temos o Colégio Dom José Vicente Távora, Presente!!! Temos o Estádio Sabino Ribeiro, Confiança!!! Temos o lar de idosos SAME, a Ponte Aracaju-Barra e ainda o centenário Seminário Propedêutico Sagrado Coração de Jesus, hoje fechado.

As portas do avanço tecnológico romperam com as memórias que nos fizeram. Temos a Rua São João em que gerações aprenderam o autêntico forró, temos as avenidas que ligam todas as idas e vindas do povo de Sergipe. Ao lado do Industrial os mercados municipais e o terminal pesqueiro de Aracaju. Ainda fechado. Os entraves da ‘política’ levam os trabalhadores a trabalharem em condições sub humanas ali no cartão postal de Aracaju. Pare e sinta o mau cheiro que por ali experimentamos quando estamos pedalando ou caminhando.

Aracaju vista do Industrial é cheia de belezas naturais dos centenários e centenárias que visitamos dentro da nossa missão que vai passando tão breve. Temos vidas belas. Sentimos falta de um ponto policial. Quem quer vir à Orlinha do Industrial? Sentimo-nos seguros? Nessa via banhada de jovens mortos, cresci como pessoa.

 

 

Vamos contemplar os barcos parados dos mais maduros cansados das promessas não possíveis. Eles param no final da tarde bem aqui perto de mim e esperam o dia da liberdade chegar. Aracaju deveria ser: jovem, pão, partilha. Ela sumiu antes do tempo. Mas o seu brilho continua. Aracaju sou eu, Aracaju é você. A real. A outra é ilusão. Termino com esses poetas daqui, tão reais:

“lá vem o dia, despertando a natureza

Vou seguindo a correnteza

Na incerteza de chegar

Dia após dia

Noite e dia sem cessar

Tanta dor, tanta agonia

Eu assim não vou ficar

Eu quero o cheiro das manhãs da minha terra

Ver o sol nascer na serra

E o vento norte soprar

Eu quero mesmo é ficar bem juntinho dela

Na praia de Atalaia

Mirando as ondas do mar…” ( CLÁUDIO MIGUEL E JOSÉ DE GOUVÊA. ),

E eu, um filho desta terra de araras e caju, de tantas memórias que ficaram para trás e são elas que fazem meu coração arder e cantar. E sonhar sonhos reais! Parabéns Aracaju!

Aracaju é isso e muito mais…

Padre Anderson Gomes é pároco da Paróquia São Pedro Pescador no bairro Industrial.

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