Na manhã desta quinta-feira, a Arquidiocese de Aracaju realizou, na Cúria Metropolitana, uma coletiva de imprensa para o lançamento oficial da Campanha da Fraternidade em âmbito arquidiocesano. A apresentação contou com a participação do arcebispo metropolitano, Dom Josafá Menezes, e do padre João Cláudio, pároco da Paróquia Santa Terezinha, no bairro Robalo, e assessor eclesiástico das campanhas na Arquidiocese.
A Campanha deste ano traz como tema “Fraternidade e Moradia” e como lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), iluminando a reflexão quaresmal a partir do mistério da Encarnação e da dignidade da pessoa humana.
Retomando a história da Campanha, Dom Josafá recordou que o tema “Fraternidade e Moradia” apareceu pela primeira vez em 1993, quando o lema era apresentado em forma de pergunta: “Onde moras?”. Segundo o arcebispo, passadas mais de três décadas, a realidade continua a interpelar a sociedade e a Igreja.
“Os bispos da CNBB refletiram que essa questão permanece profundamente atual, uma vez que, pelos dados presentes no texto-base da campanha, devemos olhar para mais de 300 mil pessoas no Brasil que vivem em situação de rua”, destacou Dom Josafá.
Enxergar Cristo nos irmãos em situação de rua
Durante a coletiva, Dom Josafá também explicou o significado das imagens presentes no cartaz da Campanha da Fraternidade. A arte traz a figura de uma pessoa deitada em um banco de praça, imagem comum nos centros urbanos.
“O texto-base nos traz uma explicação sobre todo o conjunto de imagens presentes no cartaz. Somos chamados a enxergar Cristo nessa pessoa que está deitada no banco da praça. Se olharmos atentamente, veremos que os pés estão furados, numa alusão às chagas de Cristo”, explicou.
Para o arcebispo, a imagem é um convite à contemplação e à conversão. “Essas pessoas que estão privadas do direito à moradia também são pessoas chagadas, que carregam suas cruzes hoje, como Cristo carregou e carrega as nossas cruzes”, ressaltou.
Dom Josafá destacou ainda que a vivência da Quaresma deve conduzir a uma transformação concreta. “Ao longo desses 40 dias, iniciados na Quarta-Feira de Cinzas, somos chamados à conversão do coração. Mas essa conversão deve produzir também uma conversão das nossas mãos. Os corações se abrem e as mãos também se abrem para acolher e cuidar desses nossos irmãos”, afirmou.
Ações concretas na Arquidiocese
O padre João Cláudio apresentou as iniciativas já desenvolvidas na Arquidiocese de Aracaju em favor da população em situação de rua, especialmente por meio da Pastoral do Povo em Situação de Rua e de diversas comunidades e movimentos eclesiais.
“A Igreja em Aracaju já realiza uma série de ações que deverão ser ampliadas ao longo deste ano. Temos visitas que são feitas todos os dias, de domingo a domingo, pela Pastoral do Povo em Situação de Rua, pelas Irmãs Terezinhas, pela Fraternidade O Caminho, pelos Anjos da Noite, aqui do Santuário São José, pela Paróquia Nossa Senhora do Carmo e também pela Comunidade Católica Shalom”, explicou.
Segundo o sacerdote, além do alimento material, os voluntários oferecem presença e escuta. “Essas pessoas levam não apenas o alimento material, mas também o alimento espiritual. Através de um gesto de proximidade, de fraternidade e de respeito, fazem com que aqueles que muitas vezes se sentem descartados se reconheçam como pessoas humanas, com dignidade própria, como filhos e filhas de Deus”, afirmou.
O assessor eclesiástico reforçou que a Campanha da Fraternidade é um tempo privilegiado para fortalecer essas ações e ampliar a consciência social nas paróquias, comunidades e pastorais.
Ao final da coletiva, Dom Josafá convidou todos os fiéis a viverem intensamente a Campanha da Fraternidade, unindo oração, reflexão e compromisso concreto com os irmãos e irmãs que mais sofrem. “Que esta Quaresma seja um tempo de verdadeira conversão, que transforme o nosso olhar e as nossas atitudes, para que ninguém seja invisível em nossa cidade”, concluiu.





